Qué que cê Qué?
Carlos Careqa
Você não entende de sexo
Você não entende de nada
Você não entende de anjo
Você não entende de fada
Qué que cê qué?
Qué que cê qué comigo?
Você agora quer ser
Meu amigo!
Você não entende de sonho
Você não entende de farra
Você não entende de vinho
Você não entende de barra
Qué que cê qué...
Tua vida tá mal
Teus amigos sumiram
Você não tá no jornal
Oque cê diz é mentira
Qué que cê qué...
Você só anda torto
Você não tem namorada
Você é um vivo morto
Você é um pá virada
Qué que cê qué...
Vê se chega pra lá
Com esse olhar de vampiro
Vê se arranja um lugar
Eme deixa tranquila
Qué que cê qué?
Qué que cê qué comigo?
Você agora quer ser
Meu amigo!
Mais um conselho
Zé de Riba
Cuidado com que você vai fazer
Pra não sofrer mais tarde
Cuidado com que você vai fazer
Pra não sofrer mais tarde
Pare, pense um pouco, reflita
Que as coisas não se resolvem assim
Ninguém vive de briga
Melhor é acalmar
A vida é tão bonita
É só conversar
Puxa a cadeira, senta
Deixa o temporal passar
O amor é um cinema
Um filme de Almodóvar
Somos todos irmãos
Lucy Casas
Somos todos irmãos
De quem?
Somos todos irmãos
De quem?
Todo mundo é igual perante a lei
Todo mundo é igual na biologia
Todo mundo é igual hoje em dia
Todo mundo é igual, isso eu já sei
Mas que tem diferença, isso tem
Mas que tem diferença, isso tem
Vira o jogo Mane! Muda de vida!
Vende o Carro e anda a pé
Vira o jogo Mane! Muda de vida!
Vende o Carro e anda a pé
Como é que fica, Mané?
Como é que fica, Maria?
Como é que fica (o) Mané?
Como é que fica (a) Maria?
Como que fica?
O que é que fica?
Outros tempos
Joca Freire e João Marcondes
Que noite linda
Eu ia descendo a ladeira
A cidade inteira
Era um mar de alegria
Gente na praça
Fazendo folia, cantando
As estrelas brilhando
Me lembravam o seu olhar
Parecia carnavais
De outros tempos
Pierrôs e colombinas
Namoravam ao luar
Versos recitados
Com amor
E sentimento
Por um cirandeiro a passar
Tanta felicidade despertou
Que a vida fez sentido outra vez
Quando a luz do poste voltou
A cidade entristeceu mais uma vez
Caradum cara do outro
Zé de Riba
Todo bicho tem a cara de Deus
Deus é sabido também sabe assoviar
Ocachorro late o macaco assovia
Eu vi o tatu bola paquerando uma cotia
Vixe Maria, Deus é todo popular
O repentista que vem lá de Nova York
Chegou afirmar que Deus é bom de bola
E na escola aprendeu a multiplicar
Na geografia, aprendeu a navegar
eea
eeeeea
Graças a Deus a gente fala toda hora
Parece até sanduíche e Coca-Cola
Graças a Deus a gente fala toda hora
Parece até sanduíche e Coca-Cola
Deus não é moço também sabe escutar
E não é moço também sabe escutar
eea
eeeeea
Também falaram que ele é masculino
É feminino no jeito de pensar
Eterno, barroco, moderno
Toca baião e heavy metal sem parar
Também falaram que ele é pai solteiro
Negro, índio, metalúrgico, brasileiro
Tem três filhos, mora na periferia
E vende cachorro quente lá na freguesia
eea
eeeeea
Todo bicho tem a cara de Deus
Deus é sabido também sabe assoviar
Eterno, barroco, moderno
Toca baião e heavy metal sem parar
Vestidim
Zé de Riba
A madrinha fez um vestido de chita pra mim
A madrinha fez um vestido de chita pra mim
Eu fui à missa de domingo
Vestida no meu vestidim
Quando dei fé, um rapaz piscando assim
Quando dei fé, um rapaz piscando assim
Era o meu vestidim
Era o meu vestidim
O meu vestidim era todo floreado
Parecia até um quadro de Van Gogh para mim
Era tão lindim, tinha um babado de lado
Atrás era decotado, foi presente do meu padrim
Eu tinha quatorze anos conheci esse rapaz
Eu tinha quatorze anos conheci esse rapaz
Que se apaixonou por mim
E por meu vestidim
E namoramos muito tempo
Que chegamos ao casamento
E na lua de mel
Fui vestida no meu vestidim
Quando era noite na hora de dormir
Era ele quem tirava o meu lindo vestidim
Meu querido Santo Antônio
Carlos Careqa
Meu querido Santo Antonio
Me arranja um amor
Meu bonzinho São Toninho
Me dá uma colher de chá
Meu coração pequenininho
Já não agüenta mais sofrer
Meu querido Santo Antonio
Vem aqui me socorrer
Abre bem os meus olhos
Seca a minha ambição
Mostra-me o que é bonito
Sem me dar perturbação
Deixa que eu sinta o vento
Soprar em minha direção
Me concede essa graça
Me dá a tua proteção
Tô saindo de fininho
Que é pra não lhe incomodar
Mas não esquece seu Toninho
Uma maneira de ajudar
Sei que fui um sonhador
Sei que fui um tafetá
Hoje quero bem mansinho
Alguém pra me acompanhar
Não tenho culpa se você não sabe sambar
Zé de Riba
Não tenho culpa se você não sabe sambar
Se pelo menos você aprendesse o miudinho
Que é um samba fino que fica no calcanhar
Você me deixa assim
Numa situação
Não dança jazz nem baião
Ainda põe culpa em mim
Aprenda o miudinho acabe com a solidão
O samba é um santo remédio pro coração
Cantiga Antiga
Dimitri Bentok
Não venha me dizer que se cansou
Da vida e das canções que eu te dou
Tudo porque você cresceu
Enquanto eu cantava assim
Não venha cá tutu marambá
Não venha cá
E a cantiga que embalava o seu coração
Agora parece dizer
Palavras antigas sem graça pra nós
Encantos, espantos, palhaços sem voz
Mil sonhos perdidos num mundo real
De que valeriam no seu carnaval?
E se a vida então te convidar
A mais uma ilusão abandonar
E aquela rua tão sem cor
Hoje ilumina a minha dor
E eu nem sabia ladrilhar
Eu nem sabia
Serão estrelas decadentes a pousar no chão
Não são vaga-lumes neon
Nem chuva de prata
Nem poças de mel
São cacos de vidro que caem do céu
Mil dias seguintes
Passando por mês
E o tempo acordando e brincando com você
Canção do Colo
Lucy Casas
Não canto o sabiá nem o jasmim
Só penso no tempo infindo do quando eu vim
Do meu Brasil que já não é só luz e coqueiro
Nem trigueiro nem de mim
Mas mesmo assim, é tão grande a saudade
Que a alegria pede licença, vai entardecer
Evolto pra essas ruas minhas gentes
De amores diferentes, tão sinceros, tão presentes
Evivo toda a graça, a simpatia,
Ocondão, a maravilha desse colo que é o Brasil
Brasil meu amor, minha saudade
Brasil, só queria te abraçar